
Zilu Notria ® 2008
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Você mal acabara de pensar sobre isso e a campainha toca.
“ Quem será afinal?” – pensa rapidamente – “afinal, hoje é domingo e não espero ninguém!”
Sua mulher não acorda, seus filhos nem se movem. Você estranha por alguns segundos, mas depois esquece. Parece que só você havia ouvido o sino. De repente escuta a voz daquele que parecia ser um senhor de idade. A voz dizia: “Mensagem pra você!”
Nada na frente, nem nada atrás do envelope. “Que esquisito”- murmura baixo, como para o senhor não escutar. Mas, por um momento, esquecendo até do velhinho, abre rapidamente, quase desesperadamente, o tal envelope.
No lugar do velho homem estava uma matéria gasosa, mas com definições perfeitas, e que te permite distinguir a imagem que ela forma: uma mulher bonita, uma senhora, e que estava vestido de branco. Aquele rosto se formando, o corpo, te permite reconhecer uma imagem familiar há muito distante.
“Meu querido, meu amigo... Meu filho. Me escute: não deixe sua mente te fazer sofrer quando olhar para trás”.
Haveria maldição pior do que esta?"
Mais vale a sede de um homem
Que a fome que bate em estaca
A sede só quem mata e a água,
A fome com mil coisas se mata.
Mas nenhum infortúnio deve ser minimizado,Nenhuma agrura deve ser desprezada
Porque todo momento é mensagem
Todo momento é uma encenação,
Um teatro de mil cenas repetidas
Repetidos dramas de ilusão.
Por 100 vezes brigamos
Por 1000 dias choramos,
Meu pai,
2000 anos chorando.
Essa sociedade é uma velha chorona.
Que chora dos braços para não carregar,
Que chora das pernas para não caminhar,
Que se deita de barriga pra cima
Implorando para uva em sua boca chegar.
Mas chegar daonde?
Donde vira o doce da tal fruta,
Se todos de boca aberta estão?
Esperam,
Mas nenhuma vinha plantaram antes.
Esperam,
Mas nenhuma uva comerão.
01/06
Zilu Notria