Tuesday, December 14, 2010

MAIS

Mais!
Queremos sempre mais !

Mais o sal que o doce
Mas foi você quem trouxe
Quem dera que fosse
O danado pra mim

Se o doce vai tomando
Todo a língua toda
E aqui o céu da boca
Dentro da minha boca
Dizendo amém

Diz o pastor num é mole
Rapadura da vida
Dor que dói e dói ligeiro
Sem dó e sem nem jeito,
Queima ao mesmo tempo
Todas as feridas

Cortadas do tempo no couro
No couro do compromisso

De sentar
De falar
De cantar
De compor.....


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Friday, October 29, 2010

Não é Fácil Viver, Não


Da vida o que se leva
É a inconstância de se ter vivido,
Ou as lembranças que talvez
Nem à nós pertençam?

Ou quem sabe,

Sentimentos de amor vividos.

E de que se adianta ter tudo na vida
Se não temos a impressão querida
De que nada foi em vão.

Corações são machucados
Talvez nunca se recuperarão.

Não é fácil viver, não.

Aproveite!


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Thursday, October 07, 2010

Coisa do Tempo

Mas que coisa é essa, essa voz que clama, clama sem parar?

Que coisa é essa, essa vontade de te esmagar, te fazer sem sentidos, sem falar?

Que coisa é aquele descendo a ladeira correndo, é o tempo, é o tempo?

Quantas coisas deixamos pra trás, correndo atrás de que o tempo nos deixe?

Isso é o tempo correndo,

O tempo correndo....

Corre muito do tempo, sem tempo pra abaixar

Dos dentes do tempo que deu tempo ao te cortar

Navalha na carne, véio,

Navalha na carne...


Zilu Notria - copyrights 2010  ®

Sunday, July 25, 2010

Trecho do Livro - "EVANGELIZAÇÃO ESTELAR" - Zilu Notria

Estamos agora numa sala de beleza incomum. Em seu centro há uma mesa bem comprida, oval, em cores prateadas. Tem suas beiras extremamente arredondadas e polidas, e seu brilho é suavemente ofuscante. As cadeiras, de um branco imaculado, se elevam até acima da altura da cabeça e possuem braços confortáveis para apoio. No chão, um carpete de cores claras praticamente mescla-se ao fundo com as paredes, dando uma impressão virtual ao lugar. Esta sala tinha um brilho quase que próprio, e a luz dos dois sóis que entra pela janela de uma sala lateral dá um ar de paz inabalável ao lugar. Esse efeito visual fica ainda mais agradável quando complementada pela música ambiente, (que é algo como música instrumental) e que flui naturalmente não de caixas de som, mas como o vento que entra por frestas invisíveis de outros ambientes. Esse som vem sempre acompanhado de pequenas faíscas eletrônicas que flutuam ao vento...

Parecem ondinas festeiras que bailam sobre as notas mais doces do Universo.

Estamos no último andar do prédio principal da Praça dos Pinheiros. Este é o antigo prédio de Pesquisas Espaciais. Esta sala é a sala principal de convenções e um Centro de Reuniões. Nela não existem janelas. Há apenas uma porta muito alta e uma grande tela, ferramenta de monitoramento das explorações interplanetárias.

Este Centro de Reuniões outrora foi palco de grandes tensões quando das primeiras expedições espaciais fora do cinturão de estrelas Mayar. Os Garisham iniciaram há muitas gerações atrás suas pesquisas científicas no campo espacial, e hoje eram doutores na tecnologia de Projeção Cinética Hipertemporal, termo utilizado para designar as missões estelares. Atualmente este monitoramento de missões era efetuado em ambiente tecnicamente melhor preparado. Mas como o painel da sala mantinha perfeito funcionamento, continuou sendo utilizado para monitoramento de viagens mais altruístas, missões de treinamento, explorações visuais ou em resgates esporádicos. Neste painel, a visualização pode ser feita em tempo real, e para isso são utilizadas grandes rochas de cristais de quartzo, crivadas em forma piramidal e instaladas no topo do prédio aonde se localiza a Sala de Monitoramento.

Essa rocha de cristal funciona programada ritualisticamente para estabelecer conexão com outros grupos de cristais menores que ficavam instalados em veículos de transporte que cruzavam a fronteira final do cinturão Malavit para o hiper-espaço. Essa conexão era possível porque aqueles fragmentos de cristal perfeitamente circulares, do tamanho de um punho, um dia fizeram parte deste bloco maior instalado sobre o topo do prédio de Pesquisas Espaciais. Assim, era possível estabelecer uma conexão instantânea e visualização ambiente que era transmitido tão rápido quanto o pensamento. Permitindo visão concêntrica de 360º e captação de dados atmosféricos em um raio de 300m, aproximadamente, esta pequena esfera de cristal era mescla de supercomputador, câmera e transmissor de imagens, sons e informações.

Qual seria o meio da transmissão?

O éter.

O quinto elemento.

A matéria-prima do universo (e que talvez tivesse sido a argila da criação), que permeia a vida e a morte, do começo de uma ao final da outra, e que portanto, é o condutor perfeito se focado entre os transmissores e receptores de cristal. Porém, a rocha sozinha de nada serviria se os cristais não fossem estes controlados por gênios elementais. Cada Grupo de Comunicação Cristal era formado pela Rocha Principal e por Rochas Auxiliares que eram acopladas aos veículos. Cada Grupos de Comunicação Cristal era formado de dezenas de técnicos, sendo alguns deles (em geral, as mulheres), responsáveis pela comunicação direta com o gênio elemental que auxiliava a missão controlando envios e recepções das informações que atravessavam o espaço.

Os Cristais Auxiliares (que ficam instalados na parte frontal dos Veículos de Exploração) são como filmadoras, só que muito diferente das convencionais que impressionam um material físico para ser reproduzido posteriormente.

Esses Cristais são conhecidos também como Transmissores Neurofísicos, e utilizam a própria vontade do gênio elemental para fluir através das ondas cósmicas e chegar ao seu destino. Esse processo poderia talvez ser comparado à telepatia, porém utilizando o poder de amplificação e registro das moléculas de quartzo. Só para se ter uma idéia, em se comparando o cristal a um microcomputador convencional, cada molécula que o compõe equivaleria a uma capacidade de milhões de Megahertz (medida convencionada para medir a capacidade dos nossos processadores atuais) e cada cristal do tamanho de um dedo pode armazenar bilhões de Terabytes de informações, de uma forma ainda incompreensível para a humanidade atual.

Nestes últimos anos, esta tecnologia vinha sendo utilizada principalmente para monitorar os ecossistemas vizinhos e organismos que nele viviam, visando registrar características locais e alternativas para falhas que pudessem vir a ocorrer caso precisassem ingressar em planeta estranho. Essas viagens sempre tinham elevado grau de perigo e, para estudar um planeta mais a fundo, a saída era descer e explorar o local pessoalmente. Havia uma década, os cientistas passaram a pesquisar incessantemente as razões e soluções para várias alterações na superfície de seu próprio planeta.

Muitos diziam que tais alterações eram prenúncio do próximo período de evolução que viria.

Os cientistas preferiam calar-se perante a humanidade. Sob a sombra da certeza que externamente pairava nos Colégios Científicos, reinava o fogo negro da dúvida sobre o futuro. E do desprezo pelo que não podia por ele ser pressentido. Não acreditavam no que não se enxergasse na aura. Em nada que não fosse possível ler no pensamento.

Em Garisham, havia uma co-existência pacífica entre homens e gênios. Gênios e homens vinham sendo amigos por milênios, e um nunca fizera mal ao outro. Não diretamente. Porém, cada dia que passava, comprometia-se mais a amizade entre ambos. Ultimamente haviam diminuído bruscamente contatos com gênios, e os poucos que ainda buscavam conselho e amizade de tais gênios cada vez mais marginalizados eram os homens que viviam em escolas iniciáticas, os seguidores da divina tradição antiga e as sociedades afastadas dos centros populacionais.

Esta falta de procura começava a afetar os laços atômicos que uniam as duas raças. Em alguns lugares já se fazia perceber a falta de gênios controladores, devido à desorganização natural do ambiente. Em outros, os chamados não eram mais respondidos como de costume. Escolas Iniciáticas apregoavam que seus videntes haviam descrito caravanas de elementais partindo em direção de locais menos afetados atomicamente.

O mesmo se dava em relação às grandes Obras Antigas. Maravilhas da construção antiga, elas haviam sido erguidos por povos ainda anteriores a este. Foram construídos por seres ainda mais evoluídos, e que os antecederam no planeta Garisham. Estes povos ergueram no passado obras angelicais, proporcionais à sua magnífica estatura gigantesca, duas vezes e meia maior do que os atuais indivíduos humanos. Eram obras feitas de material astral, sólido para quem partilhasse da possibilidade atômica de toca-lo. Até mesmo este presente dos deuses, seus templos em presença física; até mesmo isso o povo estava perdendo. Graças a várias experiências nucleares para o desenvolvimento de “soluções modernas para a sociedade”, o plano atômico atual estava sendo alterado gradativamente, fazendo com que estas obras divinais (que manterão eternamente sua natureza astral) começassem a ficar “transparentes”. A impressão é de desintegração. O planeta começava a se distanciar de seu nível atômico original. Quanto menos sólidas ficassem as Obras, mais Garisham adentrava em planos atômicos mais lentos, pesados.

Mas todas essas mudanças, por mais radicais que fossem, já vinham sendo esperadas há séculos por algumas elites dos núcleos de estudos. E talvez somente nestes locais se sabia disso, pois as mudanças vinham acontecendo de forma muito sutil. Ninguém em sã consciência na atual sociedade viria a público para falar que havia possibilidade de alterações graves, visto que ocorriam poucas alterações esporádicas, e os sinais mais importantes destas mudanças eram os menos importantes para a sociedade da época.

A sociedade alcançara um nível elevado de intelectualidade e de ciência, além da sua vocação espiritual latente. Toda a população possuía certo grau de controle sobre suas faculdades especiais, como vidência, clariaudiência, intuição, projeção astral, materialização, entre outros. Durante várias gerações, os conhecimentos práticos de magia eram passados de pais para filhos, por toda a sociedade. Atualmente, devido à fácil disseminação de informações pelos quatro cantos do planeta, o conhecimento hermético ficou a cargo de locais imbuídos da responsabilidade de somente criar neófitos desde pequenos. Na atual sociedade, quase tudo o que se quisesse no planeta era possível de se efetuar com a tecnologia atual e com a incrível capacidade industrial da sociedade. Duas ferramentas poderosíssimas para se conseguir uma independência real da divindade.

Toda essa arquitetura arrojada era fruto de milhares de anos de estudo em cima de fluência energética. Todas as estruturas existentes no planeta eram desenvolvidas movidas não por modismos ou tendências de qualquer espécie, mas sim pela forma como cada parte do projeto faria a energia específica de cada habitante fluir, por e para onde se desejava.

(trecho do livro "Evangelização Estelar" - copyrights Zilu Notria - 1998)

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