"Imagine um dia de Sol. Você reunido com a família em sua linda casa de verão, sua esposa cochilando maravilhosamente na sala enquanto suas crianças brincam tranquilamente no jardim dos fundos.
Seus pensamentos voam sobre como sua vida corre tranquilamente, nos negócios, em casa, em seu espírito, enfim: percebeu-se possuidor de uma vida quase perfeita.
Você mal acabara de pensar sobre isso e a campainha toca.
“ Quem será afinal?” – pensa rapidamente – “afinal, hoje é domingo e não espero ninguém!”
Sua mulher não acorda, seus filhos nem se movem. Você estranha por alguns segundos, mas depois esquece. Parece que só você havia ouvido o sino. De repente escuta a voz daquele que parecia ser um senhor de idade. A voz dizia: “Mensagem pra você!”
Quando abre a porta, aparece um senhor de idade, muito simpático, vestido como mensageiro. Com um daqueles uniformes antigos de correio.
O velhinho sorriu, como que entendendo o espanto. “Mas, afinal, que mensagem será essa?” – você pensa. O senhor carregava uma bolsa a tiracolo, como muitas cartas, todas iguaizinhas, e de onde ele retirou um daqueles envelopes e o entregou para você.
Nada na frente, nem nada atrás do envelope. “Que esquisito”- murmura baixo, como para o senhor não escutar. Mas, por um momento, esquecendo até do velhinho, abre rapidamente, quase desesperadamente, o tal envelope.
Nele havia uma tira de papel cartão, colorido. Parecia uma daquelas mensagens de caixinhas da sorte.
Vejo seus olhos fixos ao ler a mensagem.
Posso ver a coloração da sua face: “branco-leite-estou-morrendo-de-medo”. Porque você leu a mensagem. Porque só há uma frase no papel. E o papel dizia:
“Você vai morrer. Venha comigo agora.”
Você olha para o senhor. “Só pode ser piada” - é o que você pretende dizer ao levantar a cabeça. Só que ao mirar a face do homem para tirar a satisfação, um susto.
No lugar do velho homem estava uma matéria gasosa, mas com definições perfeitas, e que te permite distinguir a imagem que ela forma: uma mulher bonita, uma senhora, e que estava vestido de branco. Aquele rosto se formando, o corpo, te permite reconhecer uma imagem familiar há muito distante.
O de sua mãe.
Você se emociona imediatamente, tendo em vista que está enxergando sua mão como se estivesse viva, embora não tivesse ainda falado.
Você continua estarrecido com a visão, quando de repente, ela esboça um movimento. e, mais de repente, diz:
“Meu querido, meu amigo... Meu filho. Me escute: não deixe sua mente te fazer sofrer quando olhar para trás”.
Antes da imagem começar a falar, você sentiu um calor imenso. Neste momento, você sente um calafrio.
Da porta você se vira, e imediatamente vê a sala atrás de você, sua esposa dormindo, suas crianças brincando nos fundos. E você. Deitado sobre a mesa em que lia.
“Dormindo?” – pensou já sem fé.
Não amigão! A mensagem não mentia. Você realmente iria morrer.
Agora, fora desta alegoria, você consegue imaginar o sofrimento desta alma mal-preparada para encarar os fatos? Quantos sofrimentos poderia causar para si mesmo e para seus entes queridos?
Somos milhões de Ocidentais e que não aprendemos ainda à encarar a vida como se deve.
Por acaso viveríamos para sempre?
Haveria maldição pior do que esta?"
(Trecho do conto "Você Vai Morrer"- Zilu Notria - 2006)